Vem aí a poesia e, quando ela
vem, a alma recolhe em silêncio profundo, na atitude de quem ora. Fonseca Alves
é o apóstolo da poesia. Quando Cristo decidiu mandar espalhar a sua Boa Nova,
designou entre os apóstolos aqueles que ficariam incumbidos de tarefa de tal
magnitude. A poesia, especialmente a poesia portuguesa, incumbiu Fonseca Alves
de espalhar a sua boa nova por todo o povo. E ele tem-no feito de modo
singular. Pegou na sua mochila, recheada de poemas, e abalou. Declamando como
ninguém – com talento, com emoção, ia a dizer com génio – Fonseca Alves
transformou a recitação de poesia em verdadeira missão. Ele entende – e muito
bem – que a poesia não é privilégio de algumas classes ilustradas, não é
alimento apenas de eruditos, ela antes deverá ser levada ao conhecimento e à
apreciação e ao desfrute de todo o povo do qual, em certas épocas, sairam pela
mão de Deus os seus criadores, os poetas.
Homem
culto, transformou-se num dissertador oral da poesia. Foi ele quem divulgou
entre nós Omar Khayyam, sábio e poeta da Pérsia antiga, glória da lírica árabe,
respeitada e admirada, hoje, em todo o mundo civilizado.
Nas
suas peregrinações, ou seja, na sua mochila de peregrino Fonseca Alves
transporta pelo país a mais luzida das bagagens – a poesia. Não se limita aos
salões e aos serões, aos palcos, às academias selectas o seu afã de divulgador,
vai a todo o lado onde a cultura deve marcar presença, leva a poesia culta ao
povo, aos corações que nela e com ela vibram profundamente.
A
sua arte é perfeita. Voz timbrada com correcção, modulações cativantes e por
vezes subtis, os versos na sua voz transformam-se ou em gritos de alma, ou em
sussurros de amor, águas versejando nos córregos, ondas lambendo as praias de
espuma, brisas ciciando segredos...
Foi
o introdutor em Portugal de Omar Khayyam não só quanto à declamação da sua
poesia e ao seu lançamento discográfico, mas ainda através de recitais, saraus
culturais, da realização de palestras e entrevistas à comunicação social.
Discípulo de Avicena, Omar era um sábio na plena acepção do termo: filósofo,
matemático, geómetra, astrólogo, escritor e poeta, Omar Khayyam preenche uma
época da cultura árabe. Foi esta figura singular que Fonseca Alves divulgou
entre nós. A sua poesia é perfeita, hedonista na exaltação do vinho e das
mulheres, do dia que passa, da lembrança que permanece.
Este
Ex-libris da Poesia Portuguesa engloba poetas do século XVIII, XIX e XX,
figuras no geral consagradas e canónicas da nossa literatura, desde o
arcadismo, o romantismo, o parnasianismo, até ao modernismo... Na declamação de
Fonseca Alves estes poetas ganharão a riqueza sonora que os fará permanecer em
nossa memória e em nossa inteligência.
Ex-libris da
Poesia Portuguesa
Fonseca Alves
De Tarde Cesário verde
Senhor Doutor Augusto Gil
Regresso ao Lar Guerra Junqueiro
Liberdade Fernando Pessoa
Não há terra igual à
minha António Corrêa d’Oliveira
Destino Almeida Garrett
Romance Afonso Lopes Vieira
Lusitânia no Bairro
Latino António Nobre
Natal – Poeta Manuel Parada
O Mostrengo Fernando Pessoa
Ideal António Feijó
Torre de Névoa Florbela Espanca
Contraste Marcelino Mesquita
Moda Alentejana Mário Beirão
Ao Pai Natal do
Império Rodrigo Emílio
Enjeitadinha João de Deus
O Senhor Morgado Conde de Monsaraz
Cântico Negro José Régio
Quando chegou a
Primavera Júlio Evangelista
Mar Português Fernando Pessoa
Soneto Camilo Pessanha
Não te Amo Almeida Garrett
Pobre de Cristo Florbela Espanca
Ronda da Noite Ramiro Guedes de Campos
Os Sinos António Nobre
O Cuco e o
Rouxinol Marquesa de Alorna
Relíquia António Patrício
Cavaleiro de Pau Afonso Lopes Vieira
Deus no Entardecer da
Alma Miguel Trigueiros
Na Mão de Deus Antero de Quental
A Minha Mãe Manuel Parada
Três Sátiras Augusto Gil
Pálida e Loira António Feijó
Senhora da
Conceição António Corrêa
d’Oliveira
Edição: Edisco, Lda.
Nota: Fonseca Alves é
também autor de outros trabalhos discográficos em poesia: “Poesia”, “O Melhor
em Poesia I”, Edição: Portes & Rangel, Lda. e “O Melhor em Poesia II”, Edição: Edisco, Lda..